quarta-feira, 15 de junho de 2011

A paz que você me traz


Eu quis fechar as portas e as janelas quando a vi se aproximando outra vez; tentei me trancar dentro da minha própria solidão jurando que nunca mais cometeria a loucura de me entregar às armadilhas do amor. Mas você chegou sorrateira, inundando minha espera com a agonia de não ter por onde começar a lhe procurar. Você me devolveu a coragem que eu intencionalmente havia deixado passar e me pegou desprevenida, quando eu ainda estava reorganizando minhas manias e medos, formulando meus planos de esquecer os carinhos e as dores e você chegou me decifrando e me arrancando sorrisos que eu vinha negando há tanto tempo. Você foi mais esperta do que a minha intenção irracional de suicidar meus sentimentos, você arrancou meu sossego com essa necessidade inexplicável da sua presença e veio me obrigando ser feliz.
Você quis se fazer sol e invadiu todas as frestas da fortaleza que eu mantinha encerrada; eu que nunca havia sentido esses anseios de dividir minha vida com alguém, agora me percebo partida ao meio pela saudade que me abraça quando estou longe do seu abraço. Eu a vejo em cada cômodo da casa, com seu jeito de menina que ainda sonha fugir de casa, agindo como se o mundo lá fora tivesse parado de girar para esperar que a gente sinta cada segundo desse amor como se fosse um pedaço de eternidade.
Eu me levanto no meio da madrugada, chamando seu nome, acordada pelo seu cheiro que ficou gravado no meu travesseiro, procurando você pela casa desejando que seja só mais uma das suas brincadeiras de se esconder de mim. Eu ando assim, meio sem rumo e tão repleta de sonhos outra vez, eu que repudiei as madrugadas, insone, tentando resistir a esse amor. Quero que esses dias de paz ao seu lado sejam a minha rotina daqui adiante.
Sinto como se você tivesse me resgatado de um poço no qual eu tinha escolhido me atirar junto ao meu egoísmo e agora que tornei à superfície e posso voltar a respirar eu me encontro imersa em seu mundo outra vez.

Writen by: Angélica Manenti